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Relacionamentos

MULHERES ESTUPRAM MULHERES

Como fazer as pessoas entenderem que uma mulher pode estuprar outra sem mesmo acreditar válido o ato sexual entre ambas? Para a maioria, mulheres que se relacionam com o mesmo gênero não têm de fato relações sexuais válidas pelo simples fato da “não penetração”, quem dirá haver um estupro, mas sim isso é real e acontece, e o pior é que várias mulheres passam por isso e não têm nem ideia do que está acontecendo. Culturalmente são aceitos os atos de violência feminina com a explicação de que em geral não são físicas, e caso seja, não são potencialmente danosas como as violências oferecidas pelo sexo masculino. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o abuso sexual consiste em “qualquer ato sexual ou tentativa de ato sexual, comentários ou iniciativas indesejadas, tráfico ou intenções direcionados contra a liberdade sexual de uma pessoa”. Mulheres que cometem estupros não podem ser isentas de culpa. Estupro é crime e deve ser punido, seja o agressor um homem ou uma mulher.

O ponto inicial é entender que a questão do estupro não é somente sobre a prática sexual em si. Estupro é também sobre relações de poder e controle sobre outras pessoas, independentemente do gênero, da orientação sexual, da idade, da etnia, etc. Ainda ligamos muito o abuso sexual ao homem, e mesmo que os índices confirmem, não há dados sobre a mulher como violentadora apenas coisas como abuso infantil no qual é destacado “também praticado por mulheres”, onde banaliza atitudes de abuso vindo de uma mulher. O construtivismo social dos papéis masculinos e femininos é um propulsor de práticas criminosas na esfera doméstica, velados pela atribuição da sacralidade, inocência, proteção e cuidado das mulheres, o que mascara esse tipo de acontecimento, tanto direcionados à criança, como citado, ou à mulher como foco deste texto. É importante informar sobre a existência da violência sexual feminina contra outras mulheres, não só dentro dos relacionamentos amorosos, mas também em outros tipos de vínculos.

O seu corpo é internamente seu, a partir do momento que você sente que te invadem, é estupro, independente de quem seja ou como seja. A prova disso é a Lei da Importunação Sexual (13,718/2018) que entrou em vigor e define como crime a realização de ato libidinoso na presença de alguém e sem seu consentimento, como toques inapropriados ou beijos “roubados”. Sabe aquela vez que você fez sem vontade? Que a pessoa sabia que você não queria e mesmo assim insistiu? Que você repetiu e tentou evitar, mas deixou acontecer porque você “amava a pessoa”, porque “ela queria muito”, porque “eu já tinha começado”, e quando acabava você se sentia triste, envergonhada, se perguntava o porquê de estar se sentindo assim, e a pessoa agindo como se nada tivesse acontecido? Talvez ela até perceba e vocês falem sobre, mas fica por isso mesmo, sabe? ISSO TÁ COMPLETAMENTE ERRADO! E pare se ainda tiver deixando isso acontecer! A gente pensa que tá tudo bem e que não foi nada demais, prefere esquecer e achar que foi uma transa ruim, e não, isso é abuso, estão violando seu corpo, e é triste aceitar isso, aceitar que isso aconteceu com você, e você vai se perguntar “o que eu faço agora?”, e sim, termina, se afasta, manda embora, uma pessoa que age assim não te respeita e não fará bem a você. A sensação de se sentir violada é a pior do mundo, e o pior, a gente acaba se culpando. Juridicamente, a legislação é considerada avançada, mas a aplicação e efetividade das políticas públicas faz do país um lugar inseguro para mulheres, a ONG internacional Humans Rights Watch (HRW) definiu como “epidemia” os casos de violência doméstica no Brasil. Por meio de uma investigação, a organização denunciou que hoje existem 1,2 milhões de casos de agressões contra mulheres pendentes na justiça, isso sem citar os abusos praticados pelas mulheres.

A Central de Atendimento à Mulher (180) é um serviço com o objetivo de receber denúncias ou relatos de violência, reclamações sobre os serviços da rede e de orientar as mulheres sobre seus direitos e sobre a legislação vigente, encaminhando-as para os serviços quando necessário, é importante frisar que a central também atende a denúncias de violentação praticada por mulheres e o procedimento é o mesmo, é um serviço disponível 24h que você pode contar para te ajudar em qualquer situação. Como citamos, pela legislação somos amparadas (ainda não como gostaríamos), mas isso não impede infelizmente que essas situações aconteçam, mas através desse canal além de denunciar você pode também receber orientações do que fazer e onde buscar ajuda.

Fontes:


https://ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-penal/abuso-sexual-de-meninos-um-crime-tambem-praticado-por-mulheres/
https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932010000300009
https://medium.com/lado-m/mulheres-e-a-cultura-do-estupro-o-que-pensar-quando-s%C3%A3o-elas-que-estupram-93ace11a3f5
https://blogdamorango.blogosfera.uol.com.br/2017/12/11/precisamos-falar-sobre-mulheres-que-estupram-mulheres/