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Feminismo

VAMOS FALAR SOBRE PELOS?

Sabemos que é de grande impacto para a sociedade uma mulher que se sente segura com o seu corpo, já que o tempo todo nos é estimulado um padrão específico. É de se imaginar os ataques que sofremos por assumir nossos pelos, mas além disso também conseguimos inspirar outras mulheres a tomar essa iniciativa em busca do amor próprio. No texto de hoje conto com a participação da Sial Medeiros, uma mulher que passou pelo processo de aceitação e hoje incentiva outras mulheres com a criação do projeto PELO CORPO FEMININO, onde estimula mulheres a aceitarem seus pelos. A auto aceitação é um processo muito difícil pois implica em irmos contra costumes que sempre nos foram impostos como o que era o certo, a Sial conta que que desde seus 15 anos ela já se questionava sobre ter pelos, pois tinha contato com mulheres que tinham essa liberdade com o seu corpo e se sentiam bem com isso, e não era um problema. Isso a motivou a querer experimentar de tal empoderamento, dessa segurança que tínham consigo mesmas. Foi quando ela começou a deixar que seus pelos crescessem, mas conta que no início preferia não evidênciá-los, usando roupas grandes, para que não destacassem pois não sabia como as pessoas ao redor reagiriam. Com o tempo foi se sentindo segura próxima de seus amigos, por não a questionarem sobre isso e também tratar com naturalidade, e assim com o tempo foi se acostumando cada vez mais, tornando-se cada vez mais forte.

[…]quando a gente não se importa, ou está nem aí, as pessoas não se sentem no direito de falar nada porque elas sabem que você não vai se importar, as pessoas julgam somente esperando que você se sinta desconfortável[…]

Com o passar do tempo, já bem resolvida com seus pelos, viu que inspirava outras mulheres, recebendo diretamente mensagens e até fotos interativas sobre isso, e então usou essa influência para dar destaque a essas mulheres. Isso só fez com que a proporção aumentasse cada vez mais, foi quando ela teve a ideia da criação da tag, para que aquilo pudesse conectar e abranger todas elas, incentivando também que mostrassem seus pelos, pois a princípio ela pôde observar que essas mesmas mulheres que interagiam com ela, não evidenciavam seus pelos em seu feed por exemplo, mas com o tempo isso foi mudando e cada vez mais a marcavam em fotos usando a sua tag e mostrando seus pelos. Mesmo recebendo uma criação machista e opressora Sial não deixou que o preconceito fora de casa a abalasse, pois passar por isso dentro de casa já havia preparado ela para o que viesse enfrentar mundo afora. Para ela o intuito do seu projeto é de realmente trazer essa ligação entre as mulheres, para que ao acessar a tag possam se identificar com mulheres de verdade que lidam bem com seu corpo.

[…]quero realmente que essa tag cresça, e não seja só vínculada à mim, quero que isso seja um espaço para todas as mulheres, e lá possamos encontrar várias outras mulheres fodas que a gente se inspire, e que nos dê coragem[…]

A Sial fala que ainda há muito a se expandir desse projeto, pois em suas palavras diz que ainda existem muitas mulheres que fazem ou querem fazer parte desse movimento e ainda não tem visibilidade ou apoio, e espera que elas façam parte disso junto com ela, criando uma rede de mulheres livres. Entendendo a complexidade da realidade de cada uma, é difícil dizer algo geral que se encaixe a todas, mas ela deixa a mensagem, que é muito ruim viver a vida baseada na opinião dos outros, e hoje em dia é evidente que as pessoas que se cobram muito buscam algum tipo de aprovação, e isso está ligando à inseguranças, mas até brinca em dizer que “se depilar não é lei”, é nossa escolha, é quem somos, e além da opinião alheia não há mais nada que isso possa te causar, há tantas outras causas que merecem realmente a nossa dedicação e atenção, que é um desperdício de tempo se prender a um padrão exagerado que não nos representa.

[…]quanto mais a gente naturalizar na nossa cabeça as coisas que colocam como estranho, feio e nojento, se torna mais fácil a gente se aceitar. Então é adotar referências, conhecer, ter interesse, pesquisar, naturalizar em nossa memória imagens de mulheres reais como a gente[…] isso pode demorar, existe toda a sua realidade em volta, existem as dificuldades, e às vezes para algumas é mais cômodo do que para outras, seja por causa da sua bolha, da sua zona de conforto, então é colocar na balança se você está pronta para aquilo, é experimentar, vivenciar e ser forte, lembrar que não está sozinha[…]

Atualmente tem se tornado cada vez mais comum mulheres que assumem seus pelos, mas sabemos que ainda é um número pequeno ao globalizar isso, mas através de projetos como o da Sial, essa conectividade se torna bem maior, com mulheres de vários lugares do Brasil tendo acesso a essas informações e referências, e também ao compartilhamento desse tipo de ideal sobre a nossa liberdade corporal, podemos alcançar grandes mudanças sobre o posicionamento feminino, pois uma mulher segura de si é um perigo para a sociedade, pois assim não exerce o controle sobre nós. É esse nosso papel como atuantes dessa causa, fazer crescer a quantidade de mulheres informadas para que assim possamos derrubar essas tradições e costumes que nos foram impostas desde crianças.

2 Comentários

  • Vinicius Machado
    28 de agosto de 2020 at 06:28

    Admiro muito as atitudes que clamam pela liberdade, neste caso, a liberdade de conviver com seu corpo sem se preocupar com ossos estéticos da sociedade.
    Meus parabéns!!

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    • Catarina Machado
      31 de agosto de 2020 at 11:17

      Eu agradeço a administração pela nossa luta! ❤️

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